terça-feira, 17 de abril de 2007

O Capitão FURACÃO e os "jogos de AZAR"!

Um amigo pessoal que costuma freqüentar o VOX LIBRE me telefonou hoje e perguntou se eu não ia postar nada no blog a respeito da Operação Furacão da polícia federal.
Falar o quê a respeito???
A mídia está abordando tanto o assunto que fica difícil encontrar alguma coisa para escrever!
Na verdade o nome oficial da operação é HURRICANE (furacão em inglês), e o Ricardo Boechat, âncora da rádio BANDNEWS exagerou no dia 16 de abril, ontem, em seu programa matinal, ao criticar duramente o anglicismo inaceitável.
Ouvi os comentários do Boechat no rádio do meu carro, sintonizado em 94,9 FM e embora concorde que o anglicismo era desnecessário, achei a expressão "babaquice", usada por Boechat, igualmente dispensável!
Se há uma palavra em português para furacão, por que usar uma palavra inglesa?
Como no Brasil não tem furacão, até agora a tal palavra me remetia apenas a lembranças de minha infância, do Capitão Furacão, personagem interpretado pelo Pietro Mario que apresentava um programa infantil na estreante TV GLOBO.
O programa durou de 1965 a 1969 e era campeão de audiência!
Na foto que ilustra este post, aparece o Capitão Furacão e ao seu lado esquerdo, sua ajudante, a Elisângela ainda menininha!
Infelizmente, a partir de agora a palavra furacão vai me lembrar também um episódio lamentável!
Sem nenhuma crítica à ação da polícia federal - que tem a obrigação de agir contra quem comete crimes -, a operação furacão deve ser lamentada porque demonstra o possível envolvimento em corrupção de personagens que deviam combater o crime e não se aliar a ele.
Sempre que se descobre o envolvimento com crimes de membros de instituições como o judiciário, o prejuízo à imagem do órgão é imenso!
O perigo é imaginar que o poder judiciário, como um todo, não é confiável!
Já é grande a descrença nos demais poderes, legislativo e executivo.
É preciso não perder de vista a cautela de que o envolvimento de um ou mais membros de qualquer poder, não significa necessariamente , que todos os integrantes estejam sob suspeita, aliás, mesmo os presos na operação furacão merecem o benefício constitucional da dúvida e, até que os processos estejam concluídos, devem ser considerados como inocentes!
Sob suspeita sim, mas ainda assim INOCENTES!
O poder judiciário costuma ser a última trincheira do cidadão atingido por abusos cometidos pelo poder executivo, ou equívocos oriundos do legislativo.
Desmoralizar o poder judiciário é um importante e necessário degrau na escalada de qualquer governo com pretensões autoritárias, daí nossa preocupação!
A operação furacão aconteceu na última sexta-feira dia 13, e como todo mundo já deve saber, prendeu juízes, desembargadores e policiais federais, contraventores, advogados e empresários, todos supostamente "enrolados" com a chamada "máfia dos jogos ilegais".
Os "jogos ilegais" seriam a exploração de máquinas caça-níqueis!
A questão que achamos interessante é que até o momento em que escrevemos este post, quatro dias depois da tal operação, as máquinas caça-níqueis continuam espalhadas em bares e até padarias de toda a cidade do Rio de Janeiro, para não dizer no estado inteiro!
Mas se tal jogo é ilegal por que as maquininhas continuam funcionando livremente nas ruas?
O problema é que muitas dessas maquininhas estão funcionando graças a medidas judiciais e outras, sem amparo judicial, funcionam graças à bagunça institucional que reina no país.
Há uma discussão jurídica em andamento sobre se as máquinas caça-níqueis constituem jogo ilegal ou não!
Há laudos periciais de institutos estaduais, hoje colocados sob suspeita, de que tais máquinas não são jogos ilegais.
Há porém, laudos recentes de peritos criminais federais, afirmando que as máquinas caça-níqueis, são SIM jogos ilegais, porque são "jogo de azar"!
Mas afinal de contas e que é jogo ilegal e o que é jogo de azar?
A lei penal brasileira proíbe os “jogos de azar” no artigo 50 do decreto-lei 3688 (lei das contravenções penais), e define ainda, no parágrafo terceiro do mesmo artigo, “jogo de azar” como sendo aquele em que o ganho ou a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte.
Como exemplo do que não seja jogo de “azar”, podemos citar o xadrez ou o jogo de damas, onde ganha quem realmente tem a melhor habilidade no jogo, totalmente independente do fator sorte!
Já o jogo de dominós, em nossa opinião, e com base na definição dada pela lei, é jogo de “azar”, porque embora o jogador com mais habilidade possa ganhar, existe o fator “sorte” na distribuição das pedras!
É relevante o fato de haver dinheiro em disputa ou não, isso diferencia o mero lazer do “negócio” ilícito, porque se é “jogo de azar”, alguém sempre leva uma vantagem injusta em detrimento de outra pessoa, daí a preocupação da lei em proibir.
O que a lei quer proteger, é o bolso dos incautos!
Não temos a menor dúvida de que as maquininhas caça-níqueis são “jogo de azar” e, portanto, ilegais!
Mas ainda há muita gente "boa" envolvida nessa discussão bizantina, que se torna suspeita devido ao alto volume de dinheiro gerado pelas tais maquininhas!
Há quem afirme que uma dessas maquininhas funcionando em um bar, gera um lucro mensal de R$ 3.000,00 (três mil reais), para o dono do bar, e outros R$ 10.000,00 (dez mil reais), para o dono da máquina!
Só quem sai perdendo sempre é o jogador!
Claro que as máquinas pertencem ao contraventor que controla a circunscrição do "jogo do bicho".
São os mesmos contraventores que na época do carnaval são festejados pela mídia inteira como celebridades e benfeitores do carnaval carioca!
Há muita gente viciada nessas máquinas, que joga até perder o dinheiro da passagem do ônibus para voltar para casa, e há quem tenha perdido tudo, imóveis e automóveis em virtude do vício do jogo!
A questão é que também há o jogo “ilegal” promovido pelo estado, através das loterias administradas pela Caixa Econômica Federal.
SENA, MEGASENA, LOTO, RASPADINHAS e outras, são todas, modalidades de “jogos de azar”, porque o apostador depende de sorte para ganhar, e em nenhuma dessas modalidades é possível ganhar apenas com habilidade!
Para encerrar e concluir este post, o VOX LIBRE acha o seguinte:
Ou se muda a lei, liberando TODOS os jogos de azar, ou se proíbem todos, inclusive os administrados pela Caixa Econômica Federal!
Chega de hipocrisia!!!
Do jeito que as coisas estão agora parece haver interesse em manter alguns jogos em semi-clandestinidade para não acabar com a cornucópia da corrupção!
A permanecer tal estado de coisas, operações policiais como a FURACÃO ou HURRICANE vão apenas proporcionar a mudança das moscas, porque a merda continuará a mesma!
As “moscas” presas, vão apenas ceder lugar a novas “moscas” que ainda não tinham tido a oportunidade de se locupletar!

4 comentários:

Newton Santos disse...

Se eu trocar o nome da cidade para Piracicaba-SP, não mudará em nada o conteúdo do seru artigo.

Adilson disse...

As “moscas” presas não só, vão ceder espaço as novas “moscas”, como também vai aumentar em muito o valor da propina. No que diz respeito à “Operação Hurricane” (furacão), não vou discutir culpa ou inocência de ninguém, só me causa estranheza que todo e qualquer trabalho da Polícia que envolva PETISTAS E AFINS seja rapidamente abafado e esquecido sabe-se lá aonde vide: DOSSIÊ e 1,7 MILHÕES, DUDA MENDONÇA, O PREFEITO CELSO DANIEL e as TESTEMUNHAS TODOS ASSASSINADOS, O CASEIRO QUE TEVE SEU SIGILO BANCÁRIO QUEBRADO ILEGALMENTE, O BAQUEIRO DANIEL DANTAS QUE FALOU DE PESSOAS QUE TERIAM CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR e por aí vai. “Operação Hurricane” (se forem culpados) duro golpe na corrupção ou tomada de feudo?
Como todos sabem as maquininhas continuam por aí, em botequins, bares e etc, funcionando como se nada tivesse acontecido.

tunico disse...

Falou e disse, Rayol.

Anônimo disse...

Rayol,
Não é muita hipocrisia desta nação querer penalizar essa vontade de jogar inata na humanidade? Parece que somos uma republica islamica! Fundamental é regulamentar essa porra (desculpe, mas é isso mesmo, jogo é uma merda), cobrar imposto arrochado em cima disso pra compensar outros setores, vai gerar empregos e contribuir para minorizar em quantidade esta corrupção (nunca, jamais acabará, apenas se sofistica, cresce em qualidade).
Por que não criar logo estes locais de Cassinos e Jogos de bingos em regiões pobres, quem quiser se fu... que se fo... jogue até ficar pobre, mas não reclame depois (pode-se criar um imposto no ato da jogada para que gere fundos de pensão aos perdedores..hehe), importante é que o Estado fature para o bem do povo e não para o bem de alguns. Isto está igual ao Banco "do Brasil", que na verdade se tornou Banco "de alguns".
Abraço e parabéns pela sua lógica
Wymac Uorres