segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Liberdade condicional!

Não me lembro com exatidão (meu HD biológico anda falhando), mas acho que foi no final da década de 80, um agente de policia federal foi assassinado durante um assalto a um bar na rua Marquês de São Vicente no bairro da Gávea no Rio de Janeiro.
Seu nome era Fernando de Castro Guerreiro e ele morava nas proximidades e freqüentava com assiduidade o tal bar onde, à noite, conversava com amigos e bebia cerveja!
Numa noite de sexta-feira três indivíduos armados invadiram o bar e anunciaram o assalto.
O agente Guerreiro avaliou mal as circunstâncias e achou que podia reagir à ação dos criminosos, talvez tivesse bebido demais, o fato é que se levantou da cadeira onde estava sentado e tentou sacar uma pistola Luger 9mm que carregava na cintura.
Levou uma coronhada na cabeça e caiu no chão com a cabeça sangrando e já inconsciente.
Sua arma voou para longe de sua mão!
Embora já totalmente fora de combate e sem oferecer nenhum perigo, o agente Guerreiro foi morto com um tiro na cabeça desferido à queima roupa por um dos criminosos!
Este blogueiro chefiou a equipe encarregada da investigação, que em menos de 10 dias identificou os três criminosos responsáveis pelo assassinato!
Os três criminosos eram internos do DESIPE (departamento do sistema penitenciário), já condenados por crimes anteriores e que se encontravam cumprindo suas penas sob o benefício do regime semi-aberto.
Dormiam no presídio Plácido de Sá Carvalho no bairro de Bangu, e de segunda a sexta-feira saíam às 7 horas da manhã retornando às 20 horas.
Oficialmente, tinham empregos formais, o que era um requisito para conseguirem o benefício do regime semi-aberto, mas o fato é que ninguém fiscalizava se realmente trabalhavam nos locais declarados em seus prontuários.
Na verdade, como a investigação do assassinato do agente Guerreiro mostrou, o “trabalho” a que se dedicavam os criminosos beneficiados com a liberdade condicional eram assaltos diários!
Na época, a via de acesso ao Presídio Plácido de Sá Carvalho era uma estrada de terra cercada de mato.
Descobrimos durante a investigação, que no mato que ladeava a estrada muitos “internos” escondiam à noite, ao voltar para dormir no presídio, as armas de fogo que na manhã seguinte recuperariam para “trabalhar” em uma nova jornada de crimes.
Nos Estados Unidos da América, um condenado em regime de “probation” (liberdade condicional), é fiscalizado por um “oficial de condicional”!
Cada “oficial de condicional” se ocupa de 30 presos em regime de "probation".
O “oficial de condicional” faz visitas de surpresa aos locais de trabalho dos condenados em “probation” e realmente verifica diariamente o que cada apenado faz em seu dia a dia!
Aqui no Brasil, temos a mania de criar leis sem proporcionar os meios para que elas sejam efetivamente cumpridas, o que significa na prática, que nenhum condenado em regime de liberdade condicional é realmente vigiado!
Estamos contando essa história porque Carlos Eduardo Toledo Lima, que já havia sido preso e condenado por roubo de carros, e se encontrava gozando o benefício do regime semi-aberto, simplesmente não voltou ao presídio depois de uma de suas saídas.
Carlos Eduardo hoje é apontado pela polícia como o líder do grupo responsável pelo assalto que culminou na morte do menino de seis anos, João Hélio, arrastado até a morte por ruas de subúrbios cariocas.
A atual SEAP (secretaria especial de assuntos penitenciários), simplesmente não comunicou à Vara de Execuções Penais carioca sobre a fuga de Carlos Eduardo, e ninguém fala sobre essa falta de comunicação entre órgãos estatais que poderia ter evitado o assalto que causou a morte do menino!
Vale aqui lembrar a frase de chamada publicitária daquele filme TURISTAS, que narra a saga fictícia (nem tão fictícia assim), de turistas americanos que "comem o pão que o diabo amassou" em terras brasilis:
NUM PAÍS ONDE VALE TUDO... TUDO PODE ACONTECER!!!

3 comentários:

Turmalina disse...

Este é um exemplo c(l)aro do extremo descaso que reina no nosso serviço público. Mais uma vez o importar-se faltou... Aliás nem sei pq pagamos impostos para quem nunca se importa...devíamos parar de pagar! Mas se não há fiscalização pq é que as pessoas vão trabalhar direito? Não precisa...o salário deles está garantido.A sociedade civil devia se organizar, fiscalizar e efetivamente cobrar...não sei pq muitas vezes, tenho a impressão que isto não passa de um delírio utópico.

Newton disse...

Vou escrever o que para você meu Amigo...

Simplesmente tenho a informar-lhe que existem PAÍSES e países, GOVERNANTES e governantes e, infelizmente, nós estamos num país governado por governantes.

Anônimo disse...

TEMOS AR, VIDA E LULA! BALAS PERDIDAS, TAMBÉM!

Lula parado
Ar parado
Vida modorrenta

Morales ri
Chávez subvertendo

Lula cede
Vida cinzenta
Ar fede

O que Bush fará aqui?

Lula engabela
Ar Condicionado
Vida de gabinete...

Bush, feliz, volta para casa
Chávez segue subvertendo
Morales obedecendo...

Lula discursa “vantagens”
Vida faz-de-conta
Ar fede mais...

Lula come, bebe, faz puns, ronca e dorme
Ar que respiramos e já nos acostumamos
Vida de brasileiro é assim... e...
Olha a bala perdida aí, gente!