terça-feira, 7 de março de 2006

Sabe com quem está falando?

Era uma quarta-feira de cinzas típica no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, interior de São Paulo: filas intermináveis, vôos atrasados, foliões estressados querendo chegar logo em casa.
Foi no meio dessa turbulência que um avião da TAM, com destino a Brasília, teve sua decolagem interrompida.
Portas fechadas, passageiros acomodados e a aeronave, que já estava sendo taxiada na pista, teve de retornar a pedido da torre de comando.
Motivo: um general do Exército e sua mulher iriam subir no vôo.
Para tanto, uma dupla de “voluntários” teria de descer e ceder suas poltronas à autoridade.
Foi o que aconteceu na tarde do dia 1º.
Segundo informações da TAM, o general Francisco Albuquerque, comandante do Exército, e sua mulher, chegaram no balcão da companhia 15 minutos antes da hora de embarque do seu vôo para Brasília.
O funcionário da empresa teria explicado que o vôo estava lotado – por causa do overbooking de carnaval – e em processo de decolagem.
O general então teria se dirigido ao balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC) no aeroporto.
A TAM explica que foi de lá que saiu a ordem para que a torre de comando pedisse que o avião voltasse.
A empresa ainda informa que não teve como desacatar uma ordem da torre e que a única coisa que fez foi conseguir dois voluntários – não identificados – que cedessem seus lugares no vôo.
Os passageiros que desceram do avião embarcaram no vôo seguinte.
A Infraero, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que não tem responsabilidade no ocorrido, mas que o fato foi registrado em seu livro de ocorrências em Viracopos.
O texto acima é de Keila Gimenez do ESTADO DE SÃO PAULO.
No dia de hoje o Exército divulgou uma nota oficial dizendo que o general não se prevaleceu de seu cargo para conseguir embarcar no vôo, mas apenas reclamou seus direitos como qualquer cidadão no balcão da empresa aérea.
Assim fica difícil saber o que é pior, o episódio em si ou a nota oficial redigida especialmente para idiotas.
O general comandante do exército não é qualquer cidadão.
Qualquer cidadão ficaria berrando no balcão da companhia aérea até ser preso por perturbação da ordem pública.
Só ia conseguir embarcar em um camburão até a delegacia mais próxima.
Mas essa estória ainda vai render, uma comissão da câmara dos deputados pretende convocar o general para explicar o acontecimento.
Mas no final das contas, de onde menos se esperar, é que não vai sair nada mesmo!

3 comentários:

Augusto disse...

O General fez o famoso quem não chora, não mama. Comportamentamento deplorável o dele, mas ele deve ser petista, afinal foi alçado ao cargo pela nossa cavalgadura presidencial. Isso aí é que é a famosa ética do PT.

LCMarques disse...

Vale a pena ler a noticia no JB. Tomou uma bela vaia, tentou argumentar e foi pior,sentou caladinho. Foi apresentado pelo piloto como Ministro.
É, a vida muda, o cidadão não fica mais calado.
E teve também um Delegado da PF que viajou armado após uma carteirada aqui no Rio e foi pego em BH, estava indo para Alagoas. Estava de férias e ainda feriu acidentalmente um colega no Aeroporto.
Uma notícia parece que estimula outras, repararam na quantidade de noticias de crianças abandonadas depois do caso da Pampulha.

Anônimo disse...

É fácil conseguir uma "carteira" de autoridade, difícil mesmo é ter uma de "HOMEM"!!!!!!!!!

abcs
Rubone