domingo, 5 de junho de 2005

O VÍRUS DA MEDIOCRIDADE.


Os cientistas, apesar de exaustivas pesquisas, ainda não sabem bem o que é um vírus, se é um animal ou um vegetal. O que já sabem, é que é um organismo praticamente indestrutível!
Uma vez que um vírus invada um organismo, ele cumpre um ciclo pré-determinado, e só deixa o organismo depois de exaurir seus recursos e aí, parte para infectar um novo sistema.
Um vírus não pode ser curado, mas pode ser imobilizado por uma vacina, mecanismo que habilita um organismo invadido por um vírus a neutralizar seus efeitos, mas a vacina não destrói o vírus, apenas o torna inofensivo.
Além do aspecto biológico, o vírus ganhou outras definições, como os vírus de computador, que agem de forma muito semelhante aos vírus do mundo natural.
Há também, segundo nossas modestas observações, os vírus que agem no mundo das organizações dos homens, e aí identificamos, por exemplo, os vírus da BAJULAÇÃO, da MEDIOCRIDADE, da PROMISCUIDADE e o da CORRUPÇÃO, entre outros.
Alguns ambientes são mais favoráveis do que outros à ação destes vírus que agem no mundo organizacional dos Homens.
No meio empresarial, - das pessoas jurídicas de direito privado -, mais especificamente falando, do mundo do capital particular, o ambiente é particularmente hostil a tais vírus.
Isso porque há um compromisso com o lucro, o que só é possível quando há eficiência, competência e mérito no desempenho das funções, o que praticamente impossibilita a atuação absolutamente desembaraçada destes organismos daninhos.
Num ambiente em que o dinheiro tem dono, - e o dono tem olhos atentos -, o vírus da CORRUPÇÃO tem vida curta, para não dizer impossível!
No mesmo ambiente da iniciativa privada, o vírus da PROMISCUIDADE também não vai ter vida fácil, pois logo o propósito empresarial da busca dos melhores resultados vai acabar por enviá-lo para a lata de lixo da empresa.
Talvez o vírus da BAJULAÇÃO tenha alguma sobrevida na iniciativa privada, porque atende a um velho vício da natureza Humana que é a vaidade, pecado capital tolerado, mas mesmo assim, não dura muito, pois o bajulador só funciona quando exerce seu mister em relação ao chefe medíocre, que acredita no canto da sereia do puxa-saco, mas o próprio chefe medíocre também dura pouco em um ambiente que privilegia o MÉRITO, e assim, logo que o chefe medíocre é mandado para o “ralo”, leva com ele, a reboque, o subalterno bajulador.
Finalmente, temos o vírus da MEDIOCRIDADE, perigosíssimo, mas absolutamente ineficaz no meio da iniciativa privada, pois, como já dissemos, se o propósito da empresa privada é o melhor resultado, o funcionário infectado pelo vírus da MEDIOCRIDADE logo é detectado e defenestrado da organização porque só causa prejuízos!
No SERVIÇO PÚBLICO, porém, infelizmente, estes vírus encontram ambiente muito favorável.
Em primeiro lugar há aquela idéia errônea de que nada tem dono quando se trata de dinheiro público, quando na verdade os donos somos todos nós, os cidadãos, embora os administradores destes recursos se julguem plenipotenciários na gestão de tais recursos e acreditem poder fazer muito mais do que legalmente podem!
A crença na impunidade tem conduzido a abusos antes inimagináveis!
Assim proliferam os vírus da CORRUPÇÃO, da BAJULAÇÃO, da PROMISCUIDADE e, principalmente o da MEDIOCRIDADE.
Quando o dirigente de um órgão público está infectado pelo vírus da MEDIOCRIDADE, o efeito é terrível, pois tal vírus se propaga em progressão geométrica!
O dirigente MEDÍOCRE teme o não-medíocre mais do que a própria morte e, em conseqüência, trata de nomear como seus assessores e para os cargos subalternos na pirâmide da administração do órgão público que comanda, servidores tão ou mais MEDÍOCRES do que ele.
Qualquer funcionário não-medíocre é visto como uma ameaça temível que deve ser colocado imediatamente em uma conveniente “geladeira”, onde não ofereça perigo ao status quo da MEDIOCRIDADE GERAL instalada no órgão público.
A vacina contra os vírus da MEDIOCRIDADE, PROMISCUIDADE, CORRUPÇÃO e BAJULAÇÃO na Administração Pública é a instituição da MERITOCRACIA como regra, a qual privilegia os servidores íntegros, eficientes, qualificados e competentes no que fazem, mas isso é medida de muito difícil implementação, porque contraria interesses poderosos encastelados no poder central da República.
Sou Delegado de Polícia Federal de Classe Especial do Departamento de Polícia Federal, e estas reflexões nada têm a ver com o órgão público em que trabalho, mas se algum leitor deste texto encontrar certas semelhanças com o mundo concreto do DPF, sua conclusão corre por sua conta e risco!
ANTONIO RAYOL
Delegado de Polícia Federal de Classe Especial

4 comentários:

Jaime Leitão disse...

Geralmente o vírus da corrupção é primo-irmão do vírus da mediocridade, e quando ambos atuam juntos, o efeito é avassalador.

Sandra Regina disse...

"O dirigente MEDÍOCRE teme o não-medíocre mais do que a própria morte e, em conseqüência, trata de nomear como seus assessores e para os cargos subalternos na pirâmide da administração do órgão público que comanda, servidores tão ou mais MEDÍOCRES do que ele."

talvez seja por isso que temos a nomeação de 47.000 incompetentes no governo Lula!

Vitória e Sandra

Jaime Leitão disse...

Vocês têm razão. 47.000 incompetentes, e nós é que pagamos a conta. Este país está acordando,
delegado Rayol.

Anônimo disse...

Parabens pelo blog. Tomei conhcimento através da Coluna do Ucho.

Uma colaboração sobre mediocridade e estupidez pinçada na Internet:
"Creio na morte, única amante absolutamente fiel.
Creio na estupidez humana, única força com que se pode contar sempre.
E creio no humor, única forma de encarar a primeira e suportar a segunda"

LCMarques